segunda-feira, 18 de maio de 2015




VELHA CASA DO PRIMEIRO AEROPORTO DE BARRA DO CORDA

Na velha casinha de madeira morava e trabalhava o Sebastião, vulgo Cego do Candeira, que vendia passagens e couro de gato maracajá para os passageiros dos aviões que faziam escala na Barra.
Uma vez, Juarez Bílio, Zé Menezes e outros amigos resolveram pregar uma peça no Cego do Candeira.
Juarez tinha a mesma voz de Frei Bernardino e então o Zé Menezes, brincalhão como ninguém, chegou e falou sério:
– Sebastião, eu trouxe o frei Bernardino para lhe confessar, porque você nunca se confessou e está vivendo em pecado!
O cego se amedrontou e consentiu.
Juarez imitando frei Bernardino começou: – Então, filho mio, o que tem a contar à Deus?
O cego respondeu: – Eu fiz muita malcriação, seu padre, carrego a culpa de ter roubado muita manga do quintal de uma véia; joguei muita pedra em cachorro e calango; respondia muito pra minha mãe e brechava muita menina tomando banho, nua, no riacho quando eu enxergava!
Juarez demonstrando zanga disse: – Ora, ora, ora…já tá com saliência, sujeito? Vai pagar penitência de rezar cem Ave Maria e cem Pai Nosso, tá ouvindo?
O Cego do Candeira, de cabeça baixa, só respondeu: – Sim, Frei Bernardino!









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